As contrapartidas
Hoje em dia quando lhes cortam os
salários, os subsídios, os apoios sociais, a saúde a educação as pessoas
interrogam-se porque é que foram feitas tantas autoestradas que são pouco menos
que caminhos abandonados, porque é que algumas obras custam em milhões de euros
o dobro do valor pelo qual foram adjudicadas, porque é que todos aqueles que se
passam dos diversos partidos para empresas controladas depois de um ano ou dois
de lá estarem veem com indeminizações de muitas centenas de milhares de euros, às
vezes até milhões.
É muito simples de explicar.
Se pensarmos um pouco vamos
perceber que uma ou duas centenas de militantes filiados com cartão de “sócio,” em cada um dos 308 municípios
por esse Portugal fora, que na maior parte dos casos nem as cotas paga há anos,
tal como eu, não chegam sequer para sustentar a conta da água e da eletricidade
das sedes concelhias dos diversos partidos quanto mais a maquina partidária ou
uma campanha eleitoral de milhões de euros.
Mas os partidos para sobreviverem
precisam muito mais de milhões de euros, que militantes ou votos.
Essa é a explicação das
autoestradas em duplicado, das obras com mais uns quantos milhões de euros em
trabalhos a mais, ou a passagem rápida a reformas milionárias de uns quantos privilegiados
que tão depressa entraram nas PT´s, nas Caixas, nas Edp´s como depressa de lá
saíram com a carteira bem recheada. É daí, é desse expediente que para os
partidos do arco da governação, sejam eles uns ou outros, todos mais ou menos
parecidos que vem os milhões que mantem os partidos no poder, mesmo que
reconhecidamente não tenham capacidade de governação.
Às grandes obras é fácil ir
buscar uns milhões, basta aprovar uma quantidade de alterações ou trabalhos a
mais, e haver alguém dentro das empresas com quem se possa negociar e, se não
houver basta lá ser colocado a tempo e horas. Se a obra tiver sido adjudicada
por outra força partidária, é simples, rescinde-se o contrato e adjudica-se de
novo, mesmo que isso venha a custar o dobro, e, se não chegar uns trabalhinhos
a mais e umas quantas alterações resolvem o assunto.
Quanto aos privilegiados compulsivamente arredados
dos cargos de administração depois de dois ou três anos de intensa labuta, com
alguns milhões de euros de indeminização na conta bancária, não pensem que o
vão poder gastar todo em lagostas, viagens e roupas de marca, não senhor, uma
boa quantidade vai para o partido, e é se quiserem na próxima eleição outro
cargo trabalhoso mas muito bem renumerado.
Quanto ao pagamento de todas estas
contrapartidas, isso está perfeitamente assegurado, sem contestação de qualquer
força partidária com representação parlamentar no princípio de hoje por mim
amanhã por ti.
O povo paga, quer tenha ou não, mas vai ter de
pagar.
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